Na passada quinta-feira participei no Colóquio Internacional de Arquitectura Popular, em Arcos de Valdevez. A minha comunicação chamou-se "Arquitectura Moderna e Arquitectura Vernacular. Contributo das técnicas e materiais tradicionais para uma arquitectura mais responsável ambientalmente". Foi a oitava vez que apresentei uma comunicação pública, mas é sempre como se fosse a primeira... Abaixo transcrevo o resumo.

Num tempo em que a arquitectura
necessita de uma profunda reflexão sobre si própria, sobretudo pela consciência
de que o modelo preconizado pelos fundamentos modernistas do início do século
passado se encontram completamente desajustados e ultrapassados e de que as
novas formas de construir não poderão comprometer a vivência humana, ou o
próprio ambiente, urge questionar em que sentido poderá a arquitectura evoluir
para responder às questões pertinentes da sociedade e do mundo actual.
O modernismo tendo concorrido
para uma profunda evolução, quer artística quer tecnológica, da arquitectura
desenvolveu como tema principal a dimensão social da própria arquitectura.
Ironicamente, simultaneamente e na mesma medida, aportou problemas sociais
graves ao “estandardizar” e banalizar a arquitectura, massificando a cidade e
tornando-a quase anónima no seu a-historicismo e na preconização de uma
“maquinização” da vivência do ser humano. Algo profundamente contrário ao
carácter muito mais orgânico e telúrico da arquitectura tradicional, que é por
isso muito menos agressiva e “predadora” ambientalmente.
No entanto, não deixa de ser
curioso que alguns dos principais “arautos” do Movimento Moderno tenham baseado
algumas das suas experiências no estudo da arquitectura vernacular, como o
próprio Le Corbusier, Alvar Aalto ou Frank Lloyd Wright.
Arquitectos como
Schindler ou Louis Barrágan aprofundariam essa relação indo ao ponto de
construir com métodos e técnicas tradicionais e podendo mesmo ser considerados
precursores neste aprofundar da relação entre arquitectura erudita e vernácula,
antecipando também a percepção da mais-valia ambiental e ecológica da
utilização das técnicas e materiais tradicionais.