sábado, 3 de setembro de 2011

Habitação em Tarouquela . 1996 . VIII


O projecto encontra finalmente a sua forma definitiva. Faltava agora estudar as cores. O apontamento mostra a perspectiva que se teria da rua, com os dois volumes sobressalientes. Mais uma vez é a arquitectura tradicional a influenciar o projecto. O branco da cal contrasta com o amarelo, ocre, do óxido de ferro. O muro do piso inferior  aparece aqui em tijolo maciço na sua cor natural...

domingo, 28 de agosto de 2011

Habitação em Tarouquela . 1996 . VII


Estes apontamentos mostram já uma segurança nas opções de projecto encontradas. As ideias estão agora praticamente definidas. Estuda-se apenas a composição dos alçados e acertam-se pequenos detalhes. Rememorizam-se os conceitos: dois volumes, de uma só água em sentidos opostos, assentes sobre um socalco, interligam-se pela zona de acesso e distribuição. De um lado a zona de comer e de estar, da outra, a zona de descanso e dormir. No piso inferior os arrumos, a lavandaria e a garagem...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Habitação em Tarouquela . 1996 . VI


Mais alguns apontamentos do projecto de tarouquela. Alguns acertos no alçado nascente configurariam melhor a proposta. Também a planta do 1º piso se encontra agora praticamente definida. Um esquiço do interior da sala mostrava que era chegada a altura de começar a pensar os interiores. Esta era (e continua a ser) a minha maneira de projectar. Tudo definido em desenho, apontamentos, esquiços e depois, já com o projecto praticamente definido, pensar em desenhar a rigor...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Habitação em Tarouquela . 1996 . V



Com a procura formal, provavelmente pela aproximação a maneiras de construir tradicionais e vernaculares e também pelo ar mediterrânico que entretanto foi adquirindo, comecei a ver no projecto uma casa romana e decidi chamar-lhe "Domus".
Nestes estudos aprofunda-se, sobretudo, a composição volumétrica e a relação entre os alçados. Intenta-se também uma aproximação à relação de escalas entre o edifício e o templo românico próximo.

domingo, 10 de julho de 2011

Habitação em Tarouquela . 1996 . IV



Mais uma sequência de esquiços do projecto de Tarouquela. Uma perspectiva do lado sul/poente; o alçado sul com estudo de cor e a planta do piso superior. A zona de entrada funciona como "charneira" e separação entre a parte mais íntima e a funcional. Do lado sul são integradas umas escadas (metálicas) de acesso ao terreno e jardim. Sobre a entrada há uma pala que assinala o local de chegada e resguarda da intempérie. O projecto começa-se a definir...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Habitação em Tarouquela . 1996 . III


Nova série de esquiços para o projecto de Tarouquela. A indecisão inicial começa a dar corpo a algumas ideias fortes. O volume separa-se em dois. A zona de estar e comer assume a forma de paralelipípedo e separa-se da zona de dormir através do espaço de entrada. No piso inferior, que aproveita o socalco existente ficará a garagem, a lavandaria e os arrumos. A exposição solar começa também a definir-se. A casa "volta as costas" à rua e abre-se para o interior, para o terreno, para a luz e para a paisagem. A presença do cipreste junto da entrada contrabalança o sentido horizontal do projecto e torna-se "omnipresente"...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Habitação em Tarouquela . 1996 . II



Mais alguns esquiços, que apontam já ideias que acabariam por orientar o projecto, como por exemplo, a inserção de elementos da arquitectura tradicional, como o telhado as paredes de alvenaria de granito da região. O estudo sofria ainda a influência dos projectos anteriores e da própria vontade do cliente. Relacionava-se ainda (demasiado) com a rua e não aproveitava correctamente a exposição solar.  Havia que continuar a procurar...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Habitação em Tarouquela . 1996 . I


Primeiros esquiços de mais um projecto "atribulado". Uma habitação unifamiliar que vinha já com um "historial" bastante curioso. O terreno localizava-se junto à igreja românica de Tarouquela, Cinfães, dentro da zona de protecção do monumento classificado. O projecto anterior havia sido "chumbado" pelo IPPAR, porque detinha assinatura de engenheiro e dentro dessa área de protecção apenas arquitecto poderia elaborar o respectivo projecto. Havia ainda uma segunda versão, que mais não era que o primeiro projecto, do dito engenheiro, agora assinado (por baixo) por um arquitecto, o que deu direito às respectivas sanções disciplinares. Cabia-me agora a mim tentar a sorte...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Exposição de Arquitectura II

A exposição de arquitectura realizada em Cinfães em 1996 possuía o catálogo que referimos no artigo anterior e, conjuntamente um texto intitulado: "O drama da Arquitectura em Portugal" e dizia o seguinte:

O Drama da Arquitectura em Portugal

Serve tão pouco esta exposição para revelar um “certo querer fazer”, mas sim, essencialmente, mostrar o que será, porventura, o processo de nascimento e criação de uma obra de arquitectura.

Ao arrepio de uma situação insustentável da arquitectura, perante o actual sistema, a tarefa do arquitecto surge a maior parte das vezes hercúlea. Num país onde 90% dos projectos não são assinados por arquitectos, onde a construção é caótica e o planeamento urbanístico praticamente inexistente, onde os “projectos” dos “habilidosos” surgem com a capa de técnicos pouco escrupulosos e não passam de fotocópias adaptadas, vendidos a preços irrisórios, é verdadeiramente um acontecimento o caso em que o arquitecto consegue chegar ao cliente.

Na província a situação é ainda mais grave e a proporção dos projectos assinados por arquitectos chega a ser anedótica. Os esquemas de “produção em série” das obras encontram-se montados e os dados estão viciados à partida, sob a capa de um “pseudo-desenvolvimento” que apenas serve os interesses dos construtores, especuladores imobiliários e esses mesmos “projectistas”, que se fundem numa mesma mole indissociável.

Daqui nada de bom pode surgir e os resultados estão à vista, a qualidade geral das obras construídas é francamente medíocre, os espaços verdes diminuem assustadoramente, o trânsito revela-se cada vez mais caótico, a poluição ameaça tudo e todos, o património é destruído e atinge estados de degradação incríveis, não havendo respeito algum pela salvaguarda dos exemplos ainda existentes de arquitectura popular, em suma, a qualidade de vida diminui a olhos vistos.

Espero haver nesta mostra uma verdadeira componente didáctica e formativa, algo que contribua para um melhor entendimento do que deverá ser a arte da construção, sobretudo para os mais novos, a quem a geração actual parece, por vezes, apenas estar interessada em legar um mundo cada vez mais “pobre”.

Por esta possibilidade de poder dizer, pelo apoio prestado, pelo empenho demonstrado e incentivo, o meu agradecimento ao Pelouro da Cultura, à Câmara Municipal de Cinfães e a todos os que tornaram possível este evento.

Manuel da Cerveira Pinto

Cinfães, 14 de Outubro de 1996

domingo, 8 de maio de 2011

Exposição de Arquitectura


Capa do catálogo da exposição de arquitectura realizada em 1996, na Câmara Municipal de Cinfães. O desenho gráfico foi realizado por Nuno Dias. A exposição foi organizada com a colaboração do designer Miguel Bandeira Duarte e a montagem teve a colaboração de Octávio Vieira. A edição do catálogo foi suportada pelo Jornal Miradouro

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Casa J . Fernando Cardoso VII . Boassas . 1997


Última imagem da maquete da casa J. F. Cardoso em Boassas. Consciente de haver feito o trabalho que me competia (e ainda mais...) a consciência permanece tranquila. Seguramente que alguém perde mais do que eu por as coisas tomarem este rumo... Não duvido que sejam motivos como este que explicam o facto de o país se encontrar como se encontra neste momento. Fica o projecto.

terça-feira, 3 de maio de 2011

"Arquitectura Sustractiva"


Acaba de ser publicado o livro "Arquitectura Sustractiva", editado por Rubén Garcia Rubio e Miguel martínez Monedero, que representa o culminar do curso que se realizou na Universidade Internacional Menendéz Pelayo, em Santander, no verão de 2008 e no qual participei. A obra foi seleccionada em 2009 para os prémio anuais do Colégio Oficial de Arquitectos de León.
Na contracapa, pode ler-se:
"Los 12 artículos que se recogen en esta publicación son firmados por arquitectos que compaginan su labor profesional con la docencia. En conjunto conforman una amalgama de interpretaciones que nos adentra de manera incisiva y contundente en la "Arquitectura Sustractiva". Juan carlos Arnuncio, Antón Garcia-Abril, Elisa Valero, Mario Algarín, Manuel Cerveira, Miguel Martínez, Fernando Menis, Rubén Garcia, Luís Martínez, Felipe Pich-Aguilera y Teresa Batlle, Luciano Garcia y Patrícia Muñiz, y David Villanueva, en conjunto, aportan una contundente visión crítica en la que se abordan desde sus valores físicos y materiales, hasta un entendimiento mas allá de sus cualidades sensibles, metafísico, que nos remite al proprio proceso de la creación arquitectónica."

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Casa J. Fernando Cardoso VI . Boassas . 1997


Mais uma fotografia da maquete da casa J. Fernando Cardoso. Pelos motivos já apontados o projecto acabaria por não ir para a frente. Tive que dizer ao cliente que não era possível construir o que ele queria, naquele local, naquelas circunstâncias. A perplexidade dele era grande já que ao lado, o seu vizinho, construía aquilo que ele não podia... e nem sequer respeitava qualquer regulamento!...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Casa José Fernando Cardoso IV . Boassas . 1997


Nesta série de esquiços, retirados também do "caderno de estudos" de então, a proposta aproxima-se já bastante da sua forma definitiva. A ampliação do lado nascente ainda só tem um piso e a zona da entrada possui um avançado que acabaria por desaparecer. Também as aberturas do lado poente acabariam por ser um pouco diferentes na versão final do projecto.

Casa José Fernando Cardoso III . Boassas . 1997


Alguns esquiços iniciais do projecto da casa J. F. Cardoso. Embora incipientes todas as ideias para o projecto são já detectáveis nestes primeiros esquiços retirados de um dos meus cadernos de estudo da altura.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Casa José Fernando Cardoso II . Boassas . 1997


Mais uma imagem da maquete da casa J. F. Cardoso, desta feita mostrando o alçado nascente, percebendo-se o volume da ampliação. Apesar de reformular completamente o edifício existente, a proposta intentava a integração de alguns elementos pré-existentes, nomeadamente ao nível dos materiais utilizados. A maquete tenta dar a ideia de como no piso inferior continuar-se-ia a aplicar o granito local, enquanto que no superior a solução passaria pelo uso do tradicional reboco e pintura.

Dissertação de Mestrado . "O Morro da Sé. Reflexões de um passado para o Futuro"


O aluno Diogo Sousa de Assunção, do curso de Arquitectura e Urbanismo da UFP, apresentou e defendeu a sua Tese de Mestrado intitulada: "O Morro da Sé. Reflexões de um passado para o Futuro", no passado dia 7 de Março, no Salão Nobre da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, que lhe granjeou um Muito Bom (16), facto que de alguma forma não deixa de me enaltecer, já que fui orientador do Diogo e ele havia sido também meu aluno. Do júri fizeram parte o Professor Arquitecto Sérgio Bráz Antão, como arguente, o Professor Doutor Luís Pinto Faria como Presidente e eu próprio como vogal. Foi, assim, a minha nona participação num júri de defesa de tese.

domingo, 6 de março de 2011

Casa José Fernando Cardoso . Boassas . 1997


Ano de 1997. Mais um projecto para a câmara de Cinfães, e como não podia deixar de ser... mais um "imbróglio"!... Trata-se da ampliação e adaptação a cafetaria de um edifício de habitação uni-familiar localizado num loteamento (!!!!!????) na entrada norte da aldeia de Boassas. O edifício em questão não tinha o mínimo interesse arquitectónico e propunha-se a sua reformulação geral, tanto interior como exteriormente. A câmara, que nunca fiscalizou nenhuma das construções existentes, inviabilizou constantemente a proposta, apesar desta cumprir todos os regulamentos, faltando apenas o parecer do arquitecto autor do projecto de loteamento que não acedeu à proposta de alteração do alvará  porque a câmara nunca o consultou para esse efeito, sendo que praticamente todas as construções alteram o mesmo alvará!... Elucidativo, pois!...

Casa Armando Barbosa V . 1996


Uma última foto da maquete da casa Armando Barbosa. Projecto datado de 1996, para a aldeia de Boassas, em Cinfães.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

21 Edificios de Arquitectura Moderna en Oporto


Pouco mais de um ano após a conferência no Coliseu (ver artigo) é publicado o livro "21 Edifícios de Arquitectura Moderna en Oporto".  O artigo no qual participo é desenvolvido em parceria com o meu orientador o Professor Doutor Javier Pérez Gil e intitula-se "Estación de São Bento". O livro é publicado pelo Departamento de Teoría de la Arquitectura y Proyectos Arquitectónicos da Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Valladolid.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Livro


Quando já nem sequer pensava no assunto eis que sou surpreendido com a notícia da publicação do livro "Turismo Cultural, Territórios & Identidades", resultante do congresso com o mesmo nome e no qual participei já há mais de quatro anos. O artigo de minha autoria intitula-se "Douro - Do século VIII ao século XI: O Douro no Gharb al-Ândalus. Novas Perspectivas Históricas Para o Turismo Cultural". O livro é editado pela Afrontamento/IPL e coordenado por Maria da Graça Mouga Poças Santos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Casa Agostinho Teixeira II . Matosinhos . 2010

Estudo do alçado poente, já bastante próximo da versão definitiva, para o projecto de recuperação e remodelação da casa Agostinho Teixeira, em S. Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos. A reformulação dos vãos, da cobertura, assim como a simplificação das formas e volumes foram suficientes para atribuir um novo carácter a todo o edifício.

sábado, 14 de agosto de 2010

Casa Dr. Agostinho Teixeira . Matosinhos . 2010


Na semana passada deu entrada na câmara municipal de Matosinhos o meu projecto mais recente: a Casa Dr. Agostinho Teixeira. É o meu primeiro projecto para este concelho e trata-se da reformulação e reabilitação de uma habitação unifamiliar localizada em S. Mamede de Infesta, com boas características mas de projecto anónimo, com um desenho e espaços interiores, no mínimo...medíocres. A ver vamos o que sucede...

Casa Armando Barbosa IV . Boassas . 1996 (esquissos)



domingo, 27 de junho de 2010

Intervenção em Vieira do Minho

Um dos projectos em curso neste momento é o estudo para a recuperação de um interessante núcleo rural constituído por eira, palheiro, espigueiro e respectiva casa de caseiro, localizado em Vieira do Minho. Graças, desta feita, à Sandra Brás, continuam assim a surgir projectos de recuperação de estruturas rurais, no que parece ser já uma vocação e ainda bem, já que é para mim um enorme prazer fazer estes projectos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Casa Armando Barbosa II . 1996


Mais uma foto da maqueta da casa Armando Barbosa, desta feita mostrando os alçados norte e poente. A norte localizava-se a zona da cozinha, a qual se prolongava para o exterior no terraço. A parte cinzenta seria em tijolo vermelho maciço (dito "de burro") e a branca em alvenaria de tijolo rebocada e caiada. A cobertura, em telhado de uma só água, seria em telha lusa...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Casa Armando Barbosa . 1996

Um dos projectos desenvolvidos durante o ano de 1996 foi a casa Armando Barbosa, na minha aldeia natal, Boassas. Mais um vez o trabalho ficou-se apenas pelo projecto, ou melhor, pelo estudo prévio, já que nem sequer se chegou à fase de projecto. O cliente não entendeu nunca o projecto (mesmo com maquete), achava os estudos demasiado caros (embora o orçamento para a obra achasse barato!!!!) e acabou por me mostrar uma fotografia de uma casa sem qualquer interesse, dizendo-me que "era assim que queria!"... Tratava-se de uma habitação unifamiliar, desenvolvida em dois pisos, com alguma influência da arquitectura popular. Garagem e arrumos no pisos inferior, quartos, salas e cozinha no superior. A sala, voltada a poente, prolonga-se no exterior no terraço onde as escadas dão acesso à garagem. As influências da arquitectura local fazem-se sentir na cobertura inclinada, no telhado de uma só água, nas paredes rebocadas e caiadas, na cozinha tradicional com forno e lareira, etc...

domingo, 16 de maio de 2010

"Reabilitação: As trapeiras como elemento característico da cidade do Porto"

O aluno Eduardo Manuel Vilares Diogo, do curso de Arquitectura e Urbanismo da UFP, apresentou e defendeu a sua Tese de Mestrado intitulada: "Reabilitação: As trapeiras como elemento característico da cidade do Porto", na passada sexta-feira, dia 14 de Maio, na sala de actos da Universidade Fernando Pessoa, no Porto (Arca d'Água), que lhe granjeou um Muito Bom (16), facto que de alguma forma não deixa de me enaltecer, já que o Eduardo foi também meu aluno. Do júri fizeram parte também o Professor Doutor Luís Pinto Faria, como vogal e a arquitecta Adriana Floret, como arguente. Foi, assim, a minha oitava participação num júri de defesa de tese, embora tenha sido a primeira em que participei quer como presidente, quer em tese de Mestrado.