sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Capela para o cemitério de Boassas III . 1994


Pelos vistos, mais uma vez, a proposta não colheu opinião favorável. Penso que terá sido sobretudo o orçamento. Habituados a lidar com os habilidosos "projectistas" locais, que cobram meia dúzia de "patacos" pelas fotocópias a que chamam "projectos", terão achado demasiado caro um projecto que iria custar cerca de seis ou sete por cento do custo total da obra que, recorde-se, estava orçamentada em perto de cinco mil contos (cerca de 25.000 €)... Nada mais me foi comunicado. Passado algum tempo começou a ser construída no local uma outra obra. O projecto, segundo ouvi então dizer, terá sido "oferecido" pela câmara... A vontade de que este espaço continue a ter alguma qualidade, isenta de poluição visual, impede-me de colocar aqui uma fotografia dessa obra de arte, para que se estabelecesse a necessária comparação e se visse como a população de Boassas saiu beneficiada com a escolha!...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Capela para o cemitério de Boassas II . 1994


O programa para esta pequena capela era mínimo e tinha que ver directamente com a falta de verba para fazer a obra. Assim, apenas existiria o espaço da nave, uma sacristia e a torre sineira. A proposta assenta na ideia da desconstrução da forma cúbica. Inicialmente, tal como se pode ver neste esquiço, tinha uma cúpula. O cubo como representação terrestre, mundo material e humano e a cúpula, como forma etérea, representando o mundo imaterial e divino... Uma ideia que se encontra muito presente na arquitectura islâmica.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Projecto para a capela do cemitério de Boassas . 1994


Por esta altura (1994) a Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, do concelho de Cinfães, havia-me pedido um orçamento para um projecto de uma capela a construir junto do cemitério local. Apresentei a proposta e o respectivo orçamento.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Intervenção em Termas do Carvalhal V . 1994


A imagem refere-se já a uma terceira proposta deste mesmo projecto. Esta acabaria por ser desenvolvida quase exclusivamente pelo arq. João Duque Carreira já que eu havia atingido o ponto de saturação relativamente a este projecto. O ponto de ruptura acabou por ser alcançado um dia em que, após havermos aceite participar numa reunião no local (a mais de 100 Km...) e depois de mais de uma hora de espera, o cliente não se dignou comparecer. Ainda assim acabaria por ser necessária a intervenção do advogado da Ordem dos Arquitectos para que fosse pago o referente à primeira fase de projecto de apenas uma das propostas... Gente séria esta...!!!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Intervenção em Termas do Carvalhal IV . 1994


A segunda proposta previa apenas a adaptação e ampliação de apenas um dos armazéns existentes. Intentava-se assim de reduzir a área de construção para tentar alcançar valores que estivessem dentro do orçamento pervisto pelo cliente. Esta proposta viria a ser também recusada, pelos mesmos motivos da anterior. Entretanto, após muitas reuniões, conversas, deslocações ao local, ia-se verificando um desgaste e um crescente desencanto pela minha parte, que começava a não acreditar no projecto. A colaboração entretanto iniciada com o colega João Duque Carreira iria, porém, levar ainda à execução de uma terceira proposta.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Intervenção nas Termas do Carvalhal III . 1994


O projecto das Termas do Carvalhal, em Castro Daire, previa a reformulação de umas instalações precárias de uma empresa de construção civil local. A primeira proposta foi recusada, devido a ser muito extensa e, por consequência, cara. É uma história também recorrente. As pessoas querem fazer imensas coisas, programas vastos e complicados e depois admiram-se da obra ficar dispendiosa... Recordo que a primeira proposta previa a reformulação de todo o espaço, a recuperação e adaptação de três grandes edifícios de armazém, tipo naves industriais, com centro administrativo, salas de reunião, salas de espera, armazéns de material, garagens, economato, bar/cafetaria, refeitório, casas de banho para o pessoal, etc. Estes são já os esquiços da segunda proposta, a qual ficaria também pelo caminho.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Intervenção em Termas do Carvalhal II . 1994


O tempo não tem dado muito para acompanhar o "Diário" da forma que gostaria. Não é que este projecto não tenha que contar, bem pelo contrário. Esta é apenas a primeira proposta... seguir-se-iam, que me recorde, pelo menos mais duas. Todas ficariam na gaveta e viria a ser, como de costume, mais um caso... digamos... atribulado. Irei tentando dar uma panorâmica à medida que for publicando outras imagens.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

DEA pela ETSAV

Na passada semana concluí a primeira fase dos meus estudos na Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Valladolid. O título alcançado é intimidante - "Diploma em Estudos Avançados" (DEA) e corresponde ao anterior diploma de Suficiência Investigadora. Digamos que será o meio do caminho para o doutoramento...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Casa Fernando Ventura III . 1994


Desenganem-se aqueles que pensam que esta, por ser uma obra pequena e na minha aldeia natal, não teve problemas. De uma forma geral, os empreiteiros deste país são pessoas intratáveis, com muito baixa formação e conhecimentos. A este faltava-lhe, inclusive, a educação... Não queria corrigir os erros que a obra apresentava. Não seguia as indicações que lhe eram transmitidas pelos arquitectos (o projecto é desenvolvido com a colaboração do arq. João Duque Carreira) e inclusive pelo director de obra que, no caso, era eu. Tive que o proibir de voltar à obra e preparei a retirada do termo de responsabilidade. Teve o bom senso de deixar que fosse o irmão a continuar com os trabalhos. As coisas melhoraram e a obra pôde ser finalizada. Passados alguns anos soube que a empresa de construção faliu... Não admira!...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Monografia sobre o arquitecto Mário Bonito


No passado dia 25, pelas 19.00h, o aluno Miguel Ribeiro, do curso de Arquitectura e Urbanismo da Universidade Fernando Pessoa, apresentou e defendeu a sua monografia de final de curso intitulada: "Mário Bonito, Vida e Obra. Um Pequeno Grande Percurso", que lhe granjeou um "Muito Bom" (17), motivo pelo qual, como seu orientador, não posso deixar de me sentir satisfeito. Foi a minha sexta participação num júri deste género, desta feita como vogal e foi a segunda vez que um aluno defendeu uma monografia por mim orientada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

OPÇÃO!


Uma opção nítidamente em contra-ciclo! Numa altura em que a crise obriga ao encerramento de muitos estabelecimentos e em que os "shoppings" devoram todo o comércio tradicional decidimos abrir uma loja. Os objectos, num conceito de arte acessível, são únicos, criteriosamente seleccionados e têm a assinatura do respectivo autor. A fotografia é de Rui Costa.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

"Boassas. Uma Aldeia com História"


Costuma-se dizer que "mais vale tarde do que nunca"... Pois, aí está! Foi finalmente editada a monografia sobre Boassas, que havia já anunciado várias vezes. O desenho gráfico é de Armando Alves e a edição é do Jornal Miradouro. É a edição, possível, de apenas 500 exemplares.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Casa Fernando Ventura II . 1994



Imagens comparativas do antes e depois das obras. Com o mínimo de meios intentou-se dar alguma dignidade a um edifício bastante degradado e descaracterizado. O conceito passa pela recuperação de elementos característicos da arquitectura tradicional do local. Ainda assim houve algum cuidado na execução. Portas, caixilharias e carpintarias foram desenhadas em pormenor, bem como alguns pormenores do interior, embora nem todos tenham sido executados. Este projecto teve a colaboração do arquitecto João Duque Carreira, com quem trabalhava na altura.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Casa Fernando Ventura . 1994


O projecto que se seguiu à Casa José M. Tavares foi a segunda obra a ser construída em Boassas. Tratou-se de uma recuperação e ampliação de um edifício de arquitectura popular, localizado em pleno centro da aldeia, junto à capela de N.ª Sr.ª da Estrela. O existente pouco ou nenhum interesse tinha. A pequena casa, de três pisos, havia sofrido algumas obras que lhe tiraram o pouco valor que ainda podia ter. Apesar de tudo subsistiam algumas técnicas tradicionais de construção, como o revestimento exterior em telha, que optei por manter. Este é um dos esquiços iniciais, com estudo de cor. O aspecto final não ficou muito diferente...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Creche de S. Sebastião . 2008


No final da passada semana chegou por fim a notícia esperada. Foi aprovado, tanto pela Câmara como pela Segurança Social, o projecto de execução e especialidades da Creche de S. Sebastião. Agora há que fazer os cadernos de concurso para seleccionar o construtor. O projecto, de que já aqui falei, é a recuperação e adaptação de um edifício existente, em estrutura de pedra.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Casa J. M. Tavares II . 1994


Este esquiço aproxima-se já da versão final. A proposta consistia numa cozinha tradicional, com sala de jantar, lareira e forno de cozer o pão. A construção procura a autonomia, a luz e a paisagem, rompendo claramente com o existente. O projecto de licenciamento foi aprovado na câmara e o requerente notificado para apresentar os projectos de especialidades, que se começaram então a fazer. A surpresa veio, quando ao passar no local, reparo que a obra já se havia iniciado sem que eu houvesse sido informado... e nem sequer cumpria o projecto de arquitectura. Seguiram-se todas as diligências possíveis para que a obra fosse corrigida de acordo com o projecto. Acabou por ser o primeiro projecto ao qual retirei o "Termo de Responsabilidade". Estávamos no ano de 1994.

Casa J. M. Tavares . 1994


Curiosamente, o projecto que se seguiu à Casa Orlando Constante tinha um programa idêntico. Ampliar uma casa horrível, embora aqui com um maior carácter de anexo, (de projecto anónimo, de um dos muitos "habilidosos" que polulam pelo concelho de Cinfães e assinado por algum engenheiro técnico), mal concebida e implantada, num terreno à face da estrada nacional, com uma vista fabulosa sobre o rio Douro. O projecto foi aprovado na câmara e tornou-se, para mim, um grande "imbróglio". Estes são alguns dos esquiços iniciais.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Associação Para a Defesa do Vale do Bestança


Enquanto se desenvolviam estes projectos, fui mentor de uma associação local, de carácter ambientalista, denominada Associação Para a Defesa do Vale do Bestança. Desenhei toda a linha gráfica, um pequeno periódico e ainda o próprio logotipo (com a ajuda do designer gráfico e amigo de longa data Paulo Teixeira Lopes).

domingo, 19 de outubro de 2008

Casa Orlando Constante V . 1994


Este o aspecto final da Casa Orlando Constante. Trata-se do alçado poente, que fica voltado para a estrada. A obra é quase imperceptível a quem passa, tanto pela sua localização recuada quanto à via pública, quer quanto à profusa vegetação que circunda a casa, quer, sobretudo ao barraco clandestino que lhe construiram à frente, à face da rua...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O azulejo na História da Arquitectura e na Arquitectura Contemporânea


A aluna Carla Maria da Silva Jarmelo do curso de Arquitectura e Urbanismo da Universidade Fernando Pessoa, apresenta, no próximo dia 22 de Outubro, a defesa da sua monografia de final de curso intitulada: "A Relação do Azulejo na História da Arquitectura Portuguesa e na Arquitectura Contemporânea", naquela que será a minha quinta arguência.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Casa Orlando Constante IV . 1994


Apesar de todas as dificuldades a obra ficou de acordo com o projecto, salvo pequenos detalhes. Quando o cliente entende a obra é sempre mais fácil trabalhar e o resultado é sempre melhor. Neste caso tive, inclusive, a felicidade do dono da obra me haver encomendado a própria mesa e as cadeiras. Desenhei os balcões, a lareira e o forno de cozer o pão. Só não desenhei a torneira...

domingo, 12 de outubro de 2008

Casa Orlando Constante III . 1994


Este projecto integrou a exposição organizada pela Ordem dos Arquitectos intitulada "Geração de 90". No catálogo da exposição podia ler-se o seguinte:
“Ampliar uma casa incaracterística, sem desenho, sem alma, sem vida... Devia caber uma cozinha/sala com características culturais vincadas - forno, lareira, fumeiro e fogão de lenha. A proposta rompe com o existente, procura a luz e a autonomia. Há elementos que sobressaem - a grande chaminé; as asnas de madeira; o volume suspenso da entrada; o grande pano de vidro que prolonga o espaço para o exterior. Embora pequena esta obra suplanta outras, pois houve a possibilidade de criar uma certa unidade."

“A cultura é antes de mais nada, a unidade do estilo artístico em todas as manifestações vitais de um povo...”.
F. Nietzche

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Casa Orlando Constante II . 1994


A Casa Orlando Constante foi o primeiro projecto construído na minha aldeia natal - Boassas. A ampliação deveria conter uma cozinha/sala, com lareira, fogão de lenha, forno de cozer o pão e fumeiro e, por isso, intenta cruzar tradição e modernidade. A fotografia é tirada ainda durante as obras, que só terminariam em 1997. A obra marca também o início da minha colaboração com a firma de construção "Lourenço & Madureira".

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Casa Orlando Constante . 1994


A Casa Orlando Constante é um projecto de 1993. Trata-se de uma ampliação de um edifício existente, de desenho anónimo, sem risco nem alma, como a maior parte dos que polulam pelo interior do país.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Esplanada Serpa Pinto II . 1993


A proposta para a Esplanada Serpa Pinto tinha este aspecto. Mais ou menos nesta altura comecei a trabalhar com o colega João Duque Carreira e este é já um trabalho com a sua colaboração. O estudo foi aprovado e desenvolvido até ao pormenor, tendo sido feito projecto de execução, medições e orçamento (cheguei até a desenhar parte do mobiliário...). Faltava apenas fazer o concurso para a construção. Mais uma vez o projecto foi inviabilizado e acabou por ficar no local um barraco pré-fabricado, modelo de importação, que nunca funcionou devidamente... Só por curiosidade, a obra custaria menos de 1/10 do que custou a "Casa da Cultura".

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Esplanada Serpa Pinto . 1993


Pouco depois de começar o projecto do Parque de Pias iniciei um outro projecto para a Câmara Municipal de Cinfães. A autarquia havia-me pedido um parecer acerca de uma esplanada que um comerciante local pretendia colocar em frente à Igreja Matriz de Cinfães, no Jardim Serpa Pinto. Manifestei-me contra a pretensão e sugeri um local mais apropriado para o efeito. A proposta não foi aceite e a Câmara voltou a pedir que indicasse um outro local. Como havia no jardim um barraco disforme e que pouco ou nenhuma utilidade tinha, decidi propor a sua substituição por uma estrutura condigna.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Exposição de desenho II


Capa do pequeno catálogo que idealizei para esta exposição. Com o mínimo dos recursos tentei, ainda assim, fazer algo que não fosse o usual.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Exposição de desenho


Enquanto se ia desenrolando "a saga do Parque de Pias", fiz a minha primeira exposição individual. Até à data apenas tinha participado numa exposição colectiva de arquitectura, ainda no âmbito universitário. Este era um dos trabalhos expostos. Um apontamento rápido, desenhado a esferográfica BIC e pintado a pastel de óleo.

domingo, 17 de agosto de 2008

Parque de lazer de Pias IV . 1993

A saga do Parque de Lazer de Pias iria continuar... Efectuei todos os esforços (demasiados, sei-o hoje...) para que a obra pudesse retomar ainda o bom caminho. Infrutíferamente. As várias cartas enviadas para a câmara nem sequer obtinham resposta. Entretanto a obra prosseguia e, tal como eu previra, o construtor pediu a revisão do orçamento em quase 50%!!!!... Era preferível dar quase 10.000 contos (ainda era em escudos) ao empreiteiro a mandar fazer as medições e orçamentos necessários por uma viségisama parte desse valor - se tanto. O povo paga!...
Entretanto, como se tudo isto não bastasse, é-me enviada uma carta (em nome do presidente da câmara) em que se solicita "a suspensão provisória das visitas de acompanhamento da mesma (obra), até completo esclarecimento da situação" (sic), o que revela ignorância e um total desconhecimento dos procedimentos em obra já que, tal como é consagrado na lei, ninguém pode impedir o autor de visitar a sua própria obra.